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Recebemos com alegria o anúncio da criação da Universidade Indígena, ao lado de uma instituição dedicada ao esporte. Esse será um passo em direção à justa reparação histórica que merecemos, no que tange os nossos saberes tradicionais e nossa ciência natural, fato que há muito reivindicamos. Mas esse avanço, embora simbólico, se mistura à uma preocupação, faltam informações claras sobre datas, planejamento e metodologias, deixando no ar a dúvida sobre até quando precisaremos esperar para que promessas se tornem ações de fato.

Seguiremos vigilantes, pois iniciativas históricas exigem entregas e entrega é o mínimo que exigimos.

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Recebemos com alegria o anúncio da criação da Universidade Indígena, ao lado de uma instituição dedicada ao esporte. Esse será um passo em direção à justa reparação histórica que merecemos, no que tange os nossos saberes tradicionais e nossa ciência natural, fato que há muito reivindicamos. Mas esse avanço, embora simbólico, se mistura à uma preocupação, faltam informações claras sobre datas, planejamento e metodologias, deixando no ar a dúvida sobre até quando precisaremos esperar para que promessas se tornem ações de fato.

Seguiremos vigilantes, pois iniciativas históricas exigem entregas e entrega é o mínimo que exigimos.

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Karuan Tataenday compartilhou um post  
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Por que nunca somos lembrados???

📢 A Universidade Indígena vai ter prédios próprios? E quando isso vai acontecer?

O governo anunciou a criação da Universidade Federal Indígena (Unind) — mas até agora não existe informação pública clara dizendo:

se haverá verba garantida para construir os polos;

onde esses polos serão localizados;

se os prédios serão novos ou apenas espaços improvisados dentro de territórios indígenas;

qual o cronograma real para início das obras;

e em quantos anos a universidade vai estar funcionando de verdade.

O que existe hoje é só um projeto de lei e a promessa de que a Unind começará suas atividades em 2027. Mas sem orçamento detalhado, sem mapa de polos e sem plano de construção, fica difícil saber se essa promessa vai ser cumprida na prática.

Uma universidade indígena de verdade precisa de:

✔️ prédios próprios
✔️ orçamento garantido
✔️ estrutura completa de ensino
✔️ professores e gestão indígena
✔️ respeito aos territórios

Sem isso, corremos o risco de ver mais uma ideia linda no papel — e abandonada na vida real.

Por que nunca somos lembrados???
Por que nunca somos lembrados???

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expedições pelos rios Negro e Uaupés, nas quais conhecedores de etnias da família linguística tukano oriental visitaram e registraram lugares sagrados relacionados às narrativas de origem e de transformação do mundo e da humanidade. Assim como seus primeiros ancestrais, que viajaram a bordo de uma Cobra-Canoa, os participantes dessas expedições percorreram um extenso território, parando em lugares associados aos conhecimentos e às práticas que, até os dias de hoje, constituem a riqueza dos povos indígenas do Noroeste Amazônico.

Essa publicação resulta de pelo menos uma década de pesquisas colaborativas no rio Tiquié, situado no noroeste amazônico, região da fronteira do Brasil com a Colômbia. O foco principal dessa investigação são os fenômenos cíclicos, aqueles que se repetem de ano a ano, não exatamente da mesma maneira,
intensidade ou período, mas variando de muitas formas dentro de um certo espectro. Esse fluxo de recorrên- cias e variações no tempo reflete as estreitas interações entre os povos indígenas e seu ambiente, não só pelo manejo das roças, da pesca, dos frutos... mas também das doenças, da fertilidade, das relações interespecífi- cas. Os ciclos de vida revelam o manejo do mundo.
Se, em linhas gerais, as conexões entre o manejo indígena e os processos ambientais são evidentes, o objetivo aqui é entender, em seus detalhes e minúcias, os encadeamentos entre fenômenos, as descontinui- dades discerníveis, segundo o ponto de vista dos conhecedores indígenas. O meio que está sendo privilegia- do são as observações e registros cotidianos de moradores de comunidades, considerando diversos temas (peixes, plantas, agricultura, rituais, doenças, dentre outros). São os pesquisadores indígenas que, junto com conhecedores mais velhos e assessores-pesquisadores do Instituto Socioambiental, processam e analisam esses dados colaborativamente.
Essa pesquisa parte do princípio de que os povos indígenas são os que melhor conhecem a Amazônia, onde estão presentes há milênios e que ajudaram a produzir e reproduzir. Diversos ecossistemas e paisagens amazônicos são produtos de interações persistentes entre as sociedades indígenas e seu meio ambiente. Mais que isso, em suas comunidades, os moradores vivem no dia a dia manejando seu ambiente nas práticas da agricultura, da pesca, da coleta de frutos, dentre outras atividades. Esses conhecimentos práticos não cir- culavam por escrito, mas através da oralidade, de geração em geração. Hoje em dia estão sendo retomados e reelaborados em ambientes de pesquisa intercultural, como é o caso aqui. Outra premissa é, justamente, a de que os conhecimentos indígenas podem se expandir na interface com outros conhecimentos. Essa inter- face, neste caso, é operada por pesquisadores indígenas (in)formados. Esse diálogo de conhecimentos gera subsídios para a governança ambiental e o desenvolvimento sustentável dos territórios indígenas e mosaicos ou corredores de áreas protegidas em que estão inseridos. O principal desafio é fortalecer os conhecimentos indígenas, em suas formas próprias de circulação e validação, no contexto da comunicação e conexão cres- centes com a sociedade global. Espaços de produção colaborativa (intercultural) de conhecimentos reque- rem mediações e condições para que essas relações sejam simétricas e complementares.
Essa pesquisa surgiu no contexto de iniciativas de manejo ambiental e gestão territorial, bem como de fortalecimento dos conhecimentos indígenas, cultivadas no âmbito de relações entre as comunidades, suas associações e assessorias. Essas iniciativas estão informadas na noção indígena (dos povos Tukano) de “mane- jo do mundo” – que são modos indígenas de acompanhar e interagir com os ciclos de vida, seja no trabalho, na vivência, na fala, no tratamento xamânico. 👇🏻👇🏻

https://acervo.socioambiental.....org/sites/default/fi