Boa tarde, gente! Sou Alexandra. Rafaela, muito agradecida pelo convite a participar deste grupo. Sou agente de organização escolar do Estado De São Paulo. Sou estudante de RH e Sociologia. Estudei Pedagogia na Uninove e Unifesp Pimentas, porém não concluí. Não concluí justamente por perceber que a estrutura da educação sistêmica tem por objetivo, podar, moldar, engessar pessoas, seus corpos, pensamentos e saberes e sendo uma trabalhadora da educação percebo o quanto as estruturas da educação regular é eficiente em cumprir com seus objetivos. Tudo o que é transferência de saberes não convencionais, chama a minha atenção. Agradeço a oportunidade de aprender mais

Esses dias eu fiz um comentário num vídeo no Youtube. No comentário (que nem era nada polêmico), eu dizia "nós indígenas" (nem me lembro ao certo sobre o que).

Uma pessoa comentou embaixo "Nós indígenas = Martinelli".

Sim, meu sobrenome é Martinelli. E o do Ailton Krenak é Lacerda. E o da Sônia Guajajara é Souza. E o da Francy Baniwa é Bittercourt. Nós não inventamos essa história de sobrenome e, portanto, não temos "sobrenome".

Eu não gosto de expor a história da minha família online, mas a história do porquê de eu ter só o "Martinelli" no meu registro, sem o "Silva" que foi dado à minha linhagem Puri e sem o "Carneiro", que era alcunha da minha família Puri antes de sermos registrados formalmente como "Silva", não é uma história bonita. Nada bonita. Já perdoei o responsável por essa violação do meu direito ao registro e identidade, mas foi uma injustiça imensa cometida contra minha família Puri e seu direito à preservação da memória.

Situações como essa só mostram o quanto os não-indígenas estão dispostos a serem completamente arbitrários na hora de aplicar o seu "escrutínio étnico" sobre nós, e o fazem da forma que mais for beneficiar o seu domínio sobre o discurso em qualquer circunstância. A mesma pessoa que nega o seu pertencimento hoje, amanhã vai te tratar como um "selvagem" pra justificar te agredir, menosprezar, ridicularizar e excluir.

É um exemplo pequeno, mas achei bem sintomático da forma como somos tratadas quando frequentamos esses espaços "limiares" e principalmente na internet, onde tudo é sobre "parecer" e quase nunca sobre SER.

Mais uma vez, eles dizem que não somos quem somos porque nós não temos o que eles roubaram da gente e não querem devolver.

Boa tarde, parentes! 🏹💪🏽

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