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É preciso uma Aldeia inteira para Educar uma Criança (Provérbio Africano)
Cada vez que vou a uma vivência em alguma aldeia eu choro, o contexto é praticamente o mesmo: perceber um outro modo de enxergar a criança. Um modo diferente do ocidental. Num geral tenho visto os povos originários enxergar as crianças como sujeito pleno, digno de amor, respeito e direitos como deveria ser em qualquer lugar. Não é.
Hoje o Daniel Munduruku falou sobre isso, não com essas palavras exatamente, mas expressou a necessidade de nós adultos aprendermos a ter um novo olhar para a criança e para que sejamos água limpa para que elas possam mergulhar e ser plenamente criança, e plenamente adolescente, para chegar plenamente a idade adulta . Pois quando não vivemos plenamente a infância, chegamos a idade adulta com a carência da infância não vivida. E eu chorei. Chorei porque há 4 anos eu busco nas vivências uma cura , a cura de uma dor insuportável, um vazios que não se preenche , do luto do filho perdido e hoje Daniel nomeou a dor que eu sinto que além de todas essas, é a dor da infância que não foi vivida e o vazio que reflete em todo contexto da vida. Só agradeço.
Sou Alexandra, nascida em São Paulo, trabalhadora da Educação. Minha família é da região do Vale do Jequitinhonha seguindo até Itarantim, Vitória da Conquista BA.
Não sei ainda das raízes, nem ao menos se elas existem, só sei da inquietação, do não pertencimento ao local, tempo e contexto que hábito, que existo. Só sei do encantamento da relação aldeia, da conexão com o natural, do real, do que importa(ao menos pra mim) se você é originário dessa região, vamos conversar, me conta sobre você , talvez em você eu possa me reconhecer. Grata.
Rafaela Puri
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