VÍCIOS

Em um contexto onde nossa espiritualidade, dignidade e tradições estão comprometidas, as portas para os vícios também ficam abertas. O primeiro deles, que nos foi estrategicamente oferecido, foi o álcool. Mas hoje, em qualquer território onde estejamos inseridos, estamos sujeitos aos efeitos das drogas ilícitas, dos jogos e da pornografia. Somos culpados, não somos, fomos enfraquecidos.
Ao longo do tempo fomos manipulados por interesses colonizadores, fomos fragilizados pela quebra do nosso ambiente e mantidos vulneráveis às mídias pela invasão do capitalismo, que molda nossos desejos e comportamentos.

Nada disso está ligado à nossa cultura, bebidas fermentadas eram ritualísticas e não recreativas. O álcool como entorpecente, chegou como uma forma de nos deixar dóceis e facilitar negociações desfavoráveis.
Hoje um mal concreto, que alimenta a violência sobre comunidades e famílias, além de servir como fuga para a dor da invasão, da escassez e do preconceito. Muitos estudiosos indígenas e não indígenas enxergam o alcoolismo como expressão de um sofrimento histórico, uma ferida que se transmite entre gerações.

O tempo passa, o contato com o mundo não indígena se intensifica e os vícios se tornam mais refinados. Já não basta nosso território estar deteriorado, nosso alimento escasso, nossos modos de ser e existir, contaminados; outra doença passa a nos acometer: o descontentamento com o que temos e somos. O capitalismo nos convenceu de que a solução está no consumo, ensinando-nos a desejar o que não temos e a medir nosso valor por bens, poder e status. Para tanto, fica pra traz nossa essência, nossa espiritualidade, nossa saúde física e emocional. Drogas, jogos e pornografia, danificam o indivíduo e tudo que o cerca.

Mas somos todos guerreiros, nossa marca é, e deve sempre ser, a resistência. Vícios atingem a alma e o corpo, e, qualquer que seja sua origem, precisam ser expurgados para o bem coletivo.
Sempre foi uma armadilha e captura os mais susceptíveis. O resgate não é fácil, o primeiro passo é o reconhecimento e o segundo, o compromisso com a cura.

Em resposta a esse desafio, muitas comunidades indígenas vêm criando estratégias próprias de cura, unindo saberes tradicionais e políticas públicas. Pajelanças, rezos, círculos de escuta e retomadas espirituais se somam a programas de saúde intercultural. A cura, então, não é só individual, e pode ser vista como um reencantamento. Um reencontro entre corpo, terra e espírito, com acolhimento e respeito.

POR: Icy Porã Katú-awá Coroado

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Em 1996, um grupo de indígenas em Belém do Pará se organizou para quebrar a imagem católica, buscando recuperar o muiraquitã que havia sido forjado junto dela.
A história oficial, contada até hoje, fala apenas de Plácido, o homem que “encontrou” a imagem — mas silencia os povos que tiveram sua espiritualidade e seus símbolos sagrados tomados.
Os marajoaras existem não são vasos na sala da sua casa eles então vivos e continuam a existir, suas faculdades espirituais então vivas em quem faz a viagem astral sem força.

Karethú Krenak Trocou sua capa de perfil
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Em 1996, um grupo de indígenas em Belém do Pará se organizou para quebrar a imagem católica, buscando recuperar o muiraquitã que havia sido forjado junto dela.
A história oficial, contada até hoje, fala apenas de Plácido, o homem que “encontrou” a imagem — mas silencia os povos que tiveram sua espiritualidade e seus símbolos sagrados tomados.
Os marajoaras existem não são vasos na sala da sua casa eles então vivos e continuam a existir, suas faculdades espirituais então vivas em quem faz a viagem astral sem força.

É sério isso???

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A parenta Daiara Tukano conquistou seu espaço transformando espaços; convertendo o concreto frio das cidades em territórios de memória e ancestralidade. Artista visual, educadora, pesquisadora e ativista, é também comunicadora, e foi coordenadora da Rádio Yandê, primeira web-rádio indígena do Brasil. Seu clã veio do Amazonas para São Paulo, para engajar esforços na conquista de direitos que antecediam à elaboração da Constituição Federal de 1988. Ela traz consigo o olhar e a sensibilidade peculiar ao seu povo, os Yepá Mahsã, do Alto Rio Negro.

Em 2020, ela se tornou a artista indígena a ter o maior mural de arte urbana do mundo, nesse mesmo ano, participou de uma exposição coletiva na Pinacoteca de São Paulo, a primeira mostra dedicada exclusivamente a artistas indígenas em mais de um século de história do museu.

Daiara consolidou sua reputação entre os grandes nomes da arte contemporânea, sem jamais perder o vínculo com sua origem. Premiada nacional e internacionalmente, com reconhecimentos como o Prêmio PIPA e o Prince Claus, sua trajetória amplia o diálogo da nossa arte com o mundo, reafirmando nossa presença como sujeitos criadores de conhecimento, beleza e arte. Suas telas, murais e instalações são inconfundíveis, e mostram que a nossa presença, distinta.

Diante de sua criação, percebemos que o futuro que buscamos talvez já esteja inscrito no nosso ponto de vista, nos nossos traços e na nossa caminhada. Porque, nas mãos de Daiara Tukano, cada pincelada se torna um rezo, cada traço, uma marca de retomada e cada olhar que se detém sobre sua arte é, inevitavelmente, transformado.

POR: Icy Porã Katú-awá Coroado

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Daiara Tukano | #daiara Tukano/ Arte

Daiara Tukano

Daiara Tukano

A parenta Daiara Tukano conquistou seu espaço transformando espaços; convertendo o concreto frio das cidades em territórios de memória e ancestralidade. Artista visual, educadora, pesquisadora e ativista, é também comunicadora, e foi coordenadora da Rádio Yandê, primeira web-rádio

A parenta Daiara Tukano conquistou seu espaço transformando espaços; convertendo o concreto frio das cidades em territórios de memória e ancestralidade. Artista visual, educadora, pesquisadora e ativista, é também comunicadora, e foi coordenadora da Rádio Yandê, primeira web-rádio indígena do Brasil. Seu clã veio do Amazonas para São Paulo, para engajar esforços na conquista de direitos que antecediam à elaboração da Constituição Federal de 1988. Ela traz consigo o olhar e a sensibilidade peculiar ao seu povo, os Yepá Mahsã, do Alto Rio Negro.

Em 2020, ela se tornou a artista indígena a ter o maior mural de arte urbana do mundo, nesse mesmo ano, participou de uma exposição coletiva na Pinacoteca de São Paulo, a primeira mostra dedicada exclusivamente a artistas indígenas em mais de um século de história do museu.

Daiara consolidou sua reputação entre os grandes nomes da arte contemporânea, sem jamais perder o vínculo com sua origem. Premiada nacional e internacionalmente, com reconhecimentos como o Prêmio PIPA e o Prince Claus, sua trajetória amplia o diálogo da nossa arte com o mundo, reafirmando nossa presença como sujeitos criadores de conhecimento, beleza e arte. Suas telas, murais e instalações são inconfundíveis, e mostram que a nossa presença, distinta.

Diante de sua criação, percebemos que o futuro que buscamos talvez já esteja inscrito no nosso ponto de vista, nos nossos traços e na nossa caminhada. Porque, nas mãos de Daiara Tukano, cada pincelada se torna um rezo, cada traço, uma marca de retomada e cada olhar que se detém sobre sua arte é, inevitavelmente, transformado.

POR: Icy Porã Katú-awá Coroado

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