A parenta Daiara Tukano conquistou seu espaço transformando espaços; convertendo o concreto frio das cidades em territórios de memória e ancestralidade. Artista visual, educadora, pesquisadora e ativista, é também comunicadora, e foi coordenadora da Rádio Yandê, primeira web-rádio indígena do Brasil. Seu clã veio do Amazonas para São Paulo, para engajar esforços na conquista de direitos que antecediam à elaboração da Constituição Federal de 1988. Ela traz consigo o olhar e a sensibilidade peculiar ao seu povo, os Yepá Mahsã, do Alto Rio Negro.

Em 2020, ela se tornou a artista indígena a ter o maior mural de arte urbana do mundo, nesse mesmo ano, participou de uma exposição coletiva na Pinacoteca de São Paulo, a primeira mostra dedicada exclusivamente a artistas indígenas em mais de um século de história do museu.

Daiara consolidou sua reputação entre os grandes nomes da arte contemporânea, sem jamais perder o vínculo com sua origem. Premiada nacional e internacionalmente, com reconhecimentos como o Prêmio PIPA e o Prince Claus, sua trajetória amplia o diálogo da nossa arte com o mundo, reafirmando nossa presença como sujeitos criadores de conhecimento, beleza e arte. Suas telas, murais e instalações são inconfundíveis, e mostram que a nossa presença, distinta.

Diante de sua criação, percebemos que o futuro que buscamos talvez já esteja inscrito no nosso ponto de vista, nos nossos traços e na nossa caminhada. Porque, nas mãos de Daiara Tukano, cada pincelada se torna um rezo, cada traço, uma marca de retomada e cada olhar que se detém sobre sua arte é, inevitavelmente, transformado.

POR: Icy Porã Katú-awá Coroado

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