1.Princípios do Espaço
Povo reconhece povo
Ancestralidade não equivale automaticamente à identidade indígena
Reconexão é um processo, não um título
Indígenas de território têm prioridade de escuta
Espiritualidade não substitui vínculo comunitário
Não romantizamos nem idealizamos o indígena
Isso educa sem excluir.
2 Público-alvo
Pessoas em reconexão com ancestralidade indígena
Indígenas urbanos
Pesquisadores, educadores e aliados
Indígenas de território (como orientadores)
3. O que não é permitido
Autodeclaração como verdade absoluta
Disputa por “quem é mais indígena”
Exposição de povos ou lideranças
Criação de rituais inventados
Uso do espaço para validar identidade individual

Se você está buscando suas origens indígenas, lembre: não é ‘retomada’ — ninguém retoma o que já é seu por direito. Mas caminhe com cuidado: não é só se autodeclarar. Ser indígena envolve reconhecimento, pertencimento e relação com um povo. Reconhecer-se um pessoa indígena e um grande passo, mas o caminho também é coletivo

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Soberania digital
Nossa embaixadora txai surui falando sobre a proteção dos dados indígenas.

Texto feito por karuãn
Cosmovisão indígena, diversidade de afetos e caminhos do ser
Dentro das cosmovisões indígenas, a existência humana nunca foi limitada às categorias rígidas impostas pelo pensamento ocidental. Antes mesmo da colonização, já existiam pessoas que hoje poderiam ser chamadas de “gay”, mas essa palavra não fazia parte dessas realidades.
Nos mundos indígenas, o que sempre existiu são formas diversas de ser, viver e se relacionar. Em muitos povos, há o reconhecimento de pessoas que carregam múltiplas energias, múltiplos papéis e formas próprias de existir. Não é uma visão baseada na divisão imposta pelo homem branco, mas em um entendimento mais amplo do equilíbrio da vida.
O afeto, nessa visão, está ligado à verdade do espírito, ao respeito e à conexão com o outro e com o mundo. Amar nunca foi o problema — o conflito surge quando conceitos coloniais passam a interferir nessas formas de viver.
Em diferentes povos, existem — ou existiram — processos e rituais de escuta, orientação e descoberta do próprio ser. Esses caminhos não eram decisões imediatas ou impostas, mas vivências acompanhadas ao longo do tempo, muitas vezes com a presença de lideranças, anciãos e da própria comunidade. Era um processo de compreensão: observar o corpo, os sonhos, os sinais e o espírito, para que a própria pessoa pudesse entender qual caminho seguir, de forma mais verdadeira e equilibrada.
Não se tratava de rotular, mas de permitir que o ser se revelasse com o tempo, em harmonia com sua essência e com o coletivo.
Hoje, com o crescimento de indígenas em contextos urbanos, muitos conceitos externos entram nas comunidades. Termos, identidades e debates vindos da cidade podem gerar conflitos quando não são compreendidos dentro das cosmologias indígenas.
Por isso, o caminho não é negar essas vivências, mas sim dialogar com elas a partir das próprias raízes. Adaptar, compreender e traduzir esses conceitos para dentro das culturas originárias é essencial para evitar conflitos e fortalecer o equilíbrio.
A diversidade sempre existiu. O desafio atual não é criar algo novo, mas lembrar, respeitar e reconectar com aquilo que já faz parte dos saberes ancestrais.

Papo de parente
Ramon Jucar é uma pessoa não binária, indígena do povo Potiguara Ibirapi (Ceará-Mirim/RN), formada em audiovisual pelo Instituto Federal de Brasília (IF.
Com 24 anos, atua no Distrito Federal como ativista de tecnologia e cultura ancestral, utilizando o audiovisual como ferramenta de luta, memória e retomada. É reconhecide como cineasta de guerrilha, produzindo narrativas que confrontam o apagamento indígena e fortalecem identidades originárias no contexto urbano.
Também é liderança na Ocupação Cultural Mercado Sul Vive, em Taguatinga (DF), espaço de resistência cultural e articulação política que reúne artistas, indígenas, periféricos e movimentos sociais.
Sua atuação conecta soberania digital, ancestralidade e comunicação independente, fortalecendo redes de resistência e visibilidade indígena nas cidades.

Vamos ter vídeo novo no canal com Ramona Juca.

Sobre

Este espaço é dedicado à educação, reflexão e orientação sobre ancestralidade indígena, pertencimento coletivo e retomada,
respeitando os povos indígenas organizados, seus territórios, lideranças e formas próprias de reconhecimento.
Este não é um espaço de autodeclaração indígena, mas de formação consciente e responsável.