PARA AMARU:
Uma foto de sue Ady Byto exausty! 💖✨️
#paraminhyfilhy #indigenaemcontextourbano #parentalidadetrans #faltaderededeapoio

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PARA AMARU:
Uma foto de sue Ady Byto exausty! 💖✨️
#paraminhyfilhy #indigenaemcontextourbano #parentalidadetrans #faltaderededeapoio

Eu só consegui ver a minha própria beleza, quando eu passei a descolonizar o meu próprio padrão! ✊🏼🐍🤎🦅🏹
#carranca #indígena #povocaatingueiro #ikokariri



Nhande vae\eté ABC
Hoje eu vim expressar
minha gratidão, mais uma vez,
por essa rede social tão potente.
Eu me chamo Kamby Yby,
pessoa não binárie transmasculine,
nasci em São Paulo,
mas minha família é do Nordeste.
E desde criança
existia uma voz na minha cabeça,
me chamando
pedindo para eu buscar
e entender
minha ancestralidade indígena.
Mas eu fui pelo estereótipo.
Pensei em quem eu “puxei”
meu cabelo liso e preto
a família do meu pai
e nisso
minha busca ficou travada.
Depois comecei
a montar minha árvore genética
pelo FamilySearch.
E notei:
da família do meu pai
eu encontrava registros.
Da minha mãe…
não encontrava nada, apagamento
E mais uma vez
isso me paralisou.
Mas aquela voz
continuava.
Me inquietando,
me pedindo
pra seguir.
E tinha algo que sempre me atravessava:
todas as vezes que me perguntavam
se eu era descendente de japonês,
eu me irritava.
Porque eu sentia
que isso apagava
minha ancestralidade,
apagava a beleza nordestina.
As pessoas perguntavam com entusiasmo…
mas quando eu respondia:
“não, minha família é nordestina”
o brilho nos olhos delus
sumia.
E muitas vezes
insistiam em me chamar
de japonês.
Então eu escutei aquela voz..
que hoje eu sei
que é a minha encantada.
Comecei a participar
de coletivos indígenas em São Paulo,
e foi através deles
que consegui conversar com minha família materna.
E então descobri:
eu sou Ikó Kariri.
E é nesse momento
que eu venho agradecer
a essa rede social.
Porque quando descobri minha etnia,
tudo o que eu encontrava dizia
que nós estávamos “extintos”.
Mas foi conversando,
compartilhando minha história,
que o Akanguasu Potiguara Ibirapi me disse
que conhecia uma parente Ikó
e me apresentou a Meg.
E hoje, junto com ela,
eu estou aprendendo mais
sobre a nossa cultura.
Então eu tenho
muito amor
e muita gratidão
por essa comunidade.
Quero trazer mais conteúdo pra cá,
conhecer mais parentes,
fortalecer esses laços.
Hoje eu sei
que minha ancestralidade é múltipla.
Fiz um teste de DNA
e descobri algo importante:
eu não sou 100%.
Tenho um DNA global —
Ibérico, Indígena, Africano
e do Oriente Médio.
E isso diz muito
sobre a história do Brasil,
sobre a miscigenação forçada,
sobre tudo que nos atravessa.
Mas, mesmo não sendo 100%
pela própria história do nosso país,
eu sou Ikó Kariri.
E eu escolho valorizar,
continuar
e repassar
pra minhe filhe
a nossa cultura. ✊🏼🏹🌱
Sou artista, poeta e criadore de moda agênero em São Paulo. Transmasculine, não binárie pessoa em reconexão com ancestralidade indígena e articulo arte, natureza e política, transformando vivências dissidentes em criação. Sou fundadore da YBY, marca de moda sustentável com foco em reaproveitamento têxtil e estética ecopunk.
Em minha arte, investigo identidade, infância, corpo, território e futuros possíveis.
Também sou ade/pai de Amaru e, junto de minhe maride Idris, construo uma família transcentrada, baseada em uma criação decolonial, sem imposições de gênero e em conexão com a natureza. Pratico a não monogamia política, me responsabilizando pelos meus próprios ciúmes para construir um lar sem controle, onde minhe filhe possa crescer sabendo que ninguém pode tirar sua liberdade e que amar o coletivo é essencial para nossa sobrevivência.