Como assim tem uma pessoa que se diz pataxó, tupinambá, krenak, kayapó, baré e fulni-ô, tudo ao mesmo tempo???? 😱 Descobri agora, tô passada...
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Karuan Tataenday
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Angabaiara Potyguara
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Kamby Yby Ikó Kariri
Quero aproveitar esse post e os comentários para abrir uma conversa com vocês.
Me chamo Kamby Yby e estou em um processo de retomada indígena. Prefiro não usar o termo “indígena em retomada”, porque, embora eu saiba que minha tataravó se reconhecia como Kariri, esse é o único registro que tenho (pelo lado do meu avô materno). Ainda assim, também percebo, no lado da minha avó, traços, costumes e semelhanças que me conectam com rostos e histórias indígenas que venho conhecendo, e isso aquece meu coração.
Durante muitos anos, ouvi que eu parecia descendente de japonês. Mas essa leitura vem de um apagamento. Meu pai é um pernambucano branco (que também era lido como japonês como mais jovem)e, ao longo da vida, reprimiu muito minha mãe e toda a nossa família. Há também um histórico de falas racistas nesse lado da família, o que muitas vezes me parece funcionar como uma forma de esconder ou negar possíveis origens indígenas.
Eu e meu irmão crescemos sendo lidos de formas diferentes: eu como “descendente de japonês” e ele como “descendente de árabe”. Mas, no fim, somos apenas filhos de nordestinos. E carrego comigo a sensação de que o Nordeste ainda preserva muito de sua ancestralidade indígena. Talvez por isso exista tanta xenofobia contra pessoas nordestinas no Sudeste e no Sul, como se só fôssemos valorizades em momentos pontuais, como no São João, enquanto, no restante do ano, há uma pressão constante para nos encaixarmos em um ideal “paulistano”.
Eu me recuso a isso. Quero honrar minha ancestralidade, mesmo sem ter todas as respostas. Ainda não sei onde esse caminho vai me levar, talvez até à criação de novos termos que não sejam ofensivos aos povos indígenas originários, mas que também nos permitam nomear e reconhecer nossas raízes sem apagamento.
Também carrego um desejo muito forte de somar na luta dos povos indígenas, contra os ataques aos rios, aos territórios e pela garantia do direito à demarcação das terras. Mas hoje eu não tenho condições de contribuir financeiramente. Às vezes, inclusive, falta para mim dentro de casa. Por isso, estou buscando outras formas de apoiar de maneira responsável e respeitosa, e me conectando com povos daqui de São Paulo.
Quero estar presente como posso: fortalecendo a luta no ambiente online, compartilhando informações, ou participando de atos e mobilizações aqui em São Paulo. Quero aprender como somar de forma ética, responsável e alinhada com quem está na linha de frente dessa luta.
Porque uma coisa eu sei: para a branquitude de São Paulo, eu não sou uma pessoa branca. No máximo, me enxergam como algo que também não sou, como “descendente de japonês”, mesmo sem nenhuma relação com isso.
Quero ouvir vocês: como podemos nos autodeclarar de forma respeitosa, sem apagar os povos indígenas, mas também sem negar nossa ancestralidade? E também: quais são formas responsáveis de apoiar essa luta, para além da contribuição financeira?
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