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A Doença da Internet: quando o medo venceu o diálogo e a convivência
A internet adoeceu.
Hoje, muitas pessoas já não conseguem mais ler um texto inteiro nem participar de comentários, não por falta de opinião, mas por medo. Medo de ser ridicularizado, atacado ou sofrer assédio moral e psicológico.
As redes sociais se encheram de pessoas movidas pelo ódio, sempre à procura de um post, uma palavra ou um erro para atacar. O diálogo virou confronto. A diferença virou ameaça. O erro virou sentença pública.
Mas o problema foi além do debate: as pessoas também desaprenderam a socializar. Já não usam as redes para fazer amizades, trocar experiências ou se aproximar umas das outras. O contato humano foi substituído por desconfiança, competição e performance.
Muitos entram nas redes não para conversar, mas para se defender. Não para conhecer, mas para julgar. Não para criar laços, mas para marcar posição. Assim, quem quer apenas conversar, aprender, trocar ou conhecer novas culturas acaba se isolando.
Nesse ambiente hostil, quem tem menos estudo formal, quem escreve diferente, quem vem de culturas silenciadas ou quem deseja aprender algo novo foi empurrado para o silêncio. Falar virou risco. Perguntar virou fraqueza.
O que antes era um espaço de encontro entre pessoas e culturas se transformou em um tribunal permanente. Não se escuta — se acusa. Não se constrói — se destrói. Não se cria vínculo — se rompe.
A perda é coletiva.
Quando a sociabilidade desaparece, a empatia se perde. E sem empatia, nenhuma sociedade se sustenta.
Falar, ouvir, errar, aprender e criar vínculos não deveriam ser atos de coragem — deveriam ser o sentido das redes sociais.
Resistir a essa doença é reconstruir espaços digitais onde a humanidade venha antes do engajamento, o respeito antes do ataque e a convivência antes da disputa.