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Memorial do Povos Indígenas em Brasília

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Muito antes da chegada dos europeus no século XVI, o território que hoje conhecemos como Amazônia era o lar de uma civilização complexa e organizada. Pesquisas arqueológicas recentes indicam que entre 8 e 10 milhões de pessoas viviam na região, formando redes de assentamentos que se estendiam por centenas de quilômetros e funcionavam como verdadeiras cidades.

Estudos conduzidos por universidades brasileiras e estrangeiras — incluindo a Universidade de Exeter e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) — mostram que algumas dessas comunidades podiam reunir até 50 mil habitantes, com ruas alinhadas, praças centrais e sistemas de irrigação e agricultura sustentável.

As descobertas foram possíveis graças ao uso do LIDAR, tecnologia de varredura a laser que permite mapear o solo sob a copa das árvores. As imagens revelaram estruturas geométricas, estradas interligadas e montes artificiais, comprovando que os povos amazônicos modificaram o ambiente de forma inteligente e planejada.

Além de cultivar mandioca, milho e frutas nativas, esses grupos desenvolveram um tipo de solo fértil conhecido como “terra preta de índio”, resultado da mistura de matéria orgânica e carvão vegetal. Essa técnica permitia que o solo permanecesse produtivo por séculos — uma prova de que a Amazônia já era uma floresta manejada pelo homem muito antes do contato europeu.

Os arqueólogos afirmam que essas descobertas mudam a maneira como entendemos a história do continente. Longe de ser uma “selva intocada”, a floresta amazônica foi, durante milênios, um espaço vivo, planejado e habitado por sociedades complexas, cuja herança ecológica ainda molda o ambiente até hoje.

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