Final de semana passado, eu vivi uma das experiências mais emocionantes da minha vida: participei do 1º Festival Quebrada Originária, realizado pelo @coletivoestopobalaio 💖✨
Minha criança interior estava em festa. Pude assistir ao show do meu parente @lucaskariri na minha própria periferia, no extremo da Zona Leste. 🚴♂️🌵🏹
Sou umy grande fã do Lucas. A arte dele tem me ajudado a atravessar a depressão - uma depressão alimentada pelas violências da colonização e do capitalismo. Por isso, poder compartilhar essas fotos hoje é uma grande vitória para aquely cabobly que um dia acreditou que não teria um lugar no mundo. 🦅✊🏽
Viver esse festival despertou uma euforia que há muito tempo eu não sentia. Quando meus pais chegaram a São Paulo, passaram a frequentar a igreja evangélica e minha infância foi marcada por muitas restrições. Eu não podia dançar, não podia ouvir "música do mundo" e nem expressar quem eu realmente era. A arte só era permitida dentro da igreja. Por isso, participei do grupo de louvor, da orquestra e da dança: eram os únicos espaços culturais aos quais eu tinha acesso.
Ontem, pela primeira vez, senti minha criança ocupando um território onde minha ancestralidade, minha arte e minha existência não precisavam pedir licença.
Vida longa às culturas cabocas.
Vida longa aos povos originários.
Vida longa ao 1º Festival Quebrada Originária.
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