Tempos difíceis no Acará-Mirim. As doenças chegaram, trazendo medo e sofrimento ao nosso povo: a gripe e a poliomielite. Diante da pressão e da dificuldade para receber as vacinas da doença do homem branco, muitos correram aos cartórios para mudar seus nomes e carregar registros marcados pelos nomes do colonizador.
Foi nesse tempo que nasceu minha irmã, que ainda conseguiu manter uma parte de nossa história "Katuina". Apenas 72 pessoas mantiveram o nome de milhares que existiam. Ela morreu com 1 ano de idade, sem a vacina. Um nome dado pelos Karuanas para quem nascia naquela região, o homem branco se apropia de um povo, muda tudo com religiosidade para aqueles que confundiram povos com espíritos e se apropriaram de nossos costumes, criando um ser sem vida em livros. E quando minha filha vier ao mundo, ela herdará esse nome como símbolo da nossa história, da nossa luta e da continuidade da nossa ancestralidade.
