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O Tratado de Tordesilhas dividiu o mundo em dois. Sério?
Às vezes focamos tanto em uma visão eurocêntrica que nunca conhecemos o que realmente aconteceu. Na África, vemos que pesquisas estão mudando este cenário. E nós? O que estamos fazendo?
Texto sobre o Estado Mutapa disponível em: https://historytracers.org/ind....ex.html?page=tree&am
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A Luta Contemporânea
A presença indígena no Sul é marcada por uma forte mobilização política. O povo Xokleng (SC), por exemplo, foi o protagonista no Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Marco Temporal, uma tese jurídica que discutia se os indígenas só teriam direito às terras que ocupavam em 5 de outubro de 1988.
Essa luta evidencia que, para esses povos, a terra não é apenas um recurso econômico, mas um elemento fundamental de sua identidade e sobrevivência física.
Curiosidade: Muitos nomes de cidades e rios no Sul têm origem indígena, como Iguaçu (Água Grande), Erechim (Campo Pequeno) e Chapecó (Lugar de onde se avista o caminho da roça).
Falar sobre os povos indígenas no Sul do Brasil é desconstruir a ideia de que essa região é puramente europeia. A presença indígena no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná é ancestral, resistente e permanece muito viva, apesar dos intensos processos de colonização e conflitos por terra.
Os Principais Povos do Sul
A região Sul é habitada majoritariamente por três grandes troncos étnicos, cada um com cosmologias e organizações sociais próprias:
Kaingang: É um dos povos mais populosos do Brasil. São conhecidos por sua complexa organização social dividida em metades rituais (Kamé e Kairu). Estão presentes nos três estados do Sul.
Guarani (Mbyá e Ñandeva): Famosos por sua busca espiritual pela "Terra sem Males". Sua presença é marcante no litoral e em áreas de mata atlântica, mantendo uma forte mobilidade entre aldeias.
Xokleng: Habitam principalmente o estado de Santa Catarina. Enfrentaram um processo violento de quase extinção durante o século XIX e XX (os chamados "bugreiros", mas hoje lideram lutas históricas por demarcação de terras, como o caso do Marco Temporal.
Xetá: Um grupo menor, quase dizimado no Paraná durante a expansão cafeeira, que luta pelo reconhecimento e sobrevivência de sua cultura.
De acordo com os dados mais recentes do Censo 2022, a região Sul abriga uma parcela significativa da população indígena nacional: