Para alguns, R$ 200 representam a comida do mês. Para outros, R$ 2.000 ainda parecem pouco. Mas, quando chegou a hora de "valorizar" ou "limpar" nossa cultura para colocá-la em um palco, tudo foi reduzido a dinheiro e espetáculo.
O sistema não precisa convencer todos. Basta encontrar alguns rostos indígenas dispostos a legitimar sua narrativa. Enquanto isso, muitos parentes acabam comemorando e compartilhando a festa, sem perceber que nossa luta é muito maior do que um evento, um cachê ou alguns minutos de visibilidade.
Nossa luta é por território, por respeito, por autonomia, por soberania digital, pela proteção dos nossos conhecimentos e pelo direito de sermos protagonistas da nossa própria história. Cultura não é espetáculo. Nossa identidade não pode ser usada como cenário para fortalecer interesses de quem nunca caminhou ao nosso lado.
Precisamos refletir: estamos ocupando espaços para transformar o sistema ou estamos sendo usados para fortalecer um sistema que continua decidindo por nós?