Com o término da COP30, não devemos nos ater aos registros fotográficos, aos discursos, às polêmicas. Mas o foco deve estar nos avanços concretos e nas reflexões sobre tudo que ocorreu. Nós, povos originários, não somos atores de um cenário fictício ou legitimamos compromissos vazios, expusemos e denunciamos contradições, violações e lembramos que a crise climática não é teoria. Ela se mostra real no cotidiano do território, na ameaça das grandes corporações e no garimpo ilegal.
E independente das conquistas, avanços e frustrações, o saldo vai estar diariamente diante dos nossos olhos e corpos, e fica cada vez mais evidente que quem preservou e resistiu por tanto tempo, deve ter lugar de fala.
Quando governos e empresas saem daqui celebrando acordos, enquanto avançam sobre rios, florestas e comunidades, o que se constrói não é política, é propaganda. Os marcadores de não-retorno seguem implacáveis, o mundo precisa decidir se quer apenas repetir promessas “verdes”, ou finalmente caminhar junto com quem sustenta, na prática, o futuro do planeta. Porque não há impressão de progresso que sobreviva à extinção, e nós somos a linha frágil que posterga esse colapso.