Jun
Incialmente,
Nossa Ancestralidade
saúda a Vossa Ancestralidade,
A Associação e Ponto de Cultura Ipamakã Upâ Ĩbá, por meio de suas
lideranças que este subscreve, vem referenciar a Virada Cultural dos
Povos Indígenas:
Enquanto o calendário colonial aguarda o fim de dezembro para
marcar um novo ciclo, nós, os povos originários do Brasil, celebramos a
verdadeira renovação da vida sob a regência dos ciclos da Natureza, no
mês de junho.
A Virada Cultural Indígena, Nhandé Mombaguaçu, proposta pela
Aliança de Coletivos Originários, surge como um potente ato de
afirmação identitária e resistência linguística, celebrando o momento
em que a Natureza, a Ancestralidade e o Sagrado se encontram, em
um Alinhamento de Mundo, o Nosso Grande Despertar após a mais
longa das noites. Nossa Virada não é uma data arbitrária no calendário;
é o reconhecimento ancestral do alinhamento de pelo menos três
fenômenos fundamentais que já ditavam o ritmo da vida neste
território muito antes da colonização:
O Solstício de Inverno (na virada de 20 para 21 de junho), a noite mais
longa do ano, que marca o ponto de virada no ciclo solar. É o momento
de maior introspecção, onde o frio e a escuridão preparam o solo e o
espírito para o renascimento
O Nascimento Helíaco das Plêiades (10 de
junho), que para diversos povos originários,
como os Guarani e vários povos do tronco
Tupi, sinaliza o início de um novo ciclo de
colheitas e renovação das das energias.
E a Subida das Águas (21 de junho), na
Amazônia, com a renovação do ciclo
hidrológico que transforma a paisagem da
região e renova os nutrientes que mantên de
pé a floresta e reorganiza a vida das
comunidades nativas.Proposta pela teia de vozes e resistências que compõem nossa Aliança
de Coletivos Originários, esta ação é mais do que uma celebração; é
uma ferramenta de retomada e reafirmação de nossos pertencimento
originário e de fortalecimento de nossos laços comunitários
multiétnicos. Ao reunir uma diversidade de coletivos de todo o Brasil,
através de uma iniciativa comum que coloca as culturas indígenas,
quase sempre silenciadas ao longo da história, no centro da cena
cultural brasileira.
A Virada celebra a diversidade de contextos: dos territórios
demarcados às retomadas, das comunidades isoladas aos indígenas
em contexto urbano. É o momento em que o canto, a dança, os rituais
e a oratória sagrada reafirmam que a cultura indígena não é algo do
passado, mas uma força viva que projeta o futuro.
Celebrar a Virada no solstício é reconhecer que o nosso tempo é o
tempo da Terra. É a afirmação de que, apesar de séculos de tentativas
de apagamento, nossas línguas e culturas continuam a nomear as
estrelas e a saudar o novo ano que nasce com a força das águas e o
luzir das Plêiades.
Pamẽ ãtxuhã (Damos fé).
Respeitosamente