Fomos convidados para participar de livro internacional que vai ser lançando em setembro nossa contribuição
A leitura da introdução me pareceu muito consistente ao apresentar os desafios da Inteligência Artificial generativa em relação à arte, à identidade e às epistemologias indígenas. Considero especialmente importante a defesa de que os povos indígenas participem da construção dessas tecnologias e não sejam apenas objetos de estudo.

No entanto, acredito que o debate ainda pode avançar em um ponto fundamental: a participação de indígenas que atuam diretamente na área da tecnologia e daqueles que vivem em diferentes contextos sociais, especialmente os indígenas em contexto urbano. Grande parte das pesquisas ainda concentra sua atenção em experiências de aldeias ou em análises conduzidas por pesquisadores não indígenas. Mesmo quando realizadas com boas intenções, essas pesquisas frequentemente passam por uma interpretação externa da realidade indígena.

Também é necessário reconhecer que existem indígenas que viveram processos de deslocamento, urbanização, formação acadêmica e reconexão com suas identidades. Essas experiências produzem conhecimentos igualmente indígenas e são essenciais para compreender como a tecnologia e a inteligência artificial impactam diferentes realidades dos povos originários.

Minha preocupação é que, sem a participação ativa desses diferentes sujeitos indígenas na produção dos dados, poderemos construir uma Inteligência Artificial generativa que continue reproduzindo visões colonizadoras, gerando textos, imagens e vídeos distantes das perspectivas dos próprios povos indígenas.

Acredito que o próximo passo das pesquisas não seja apenas estudar como a IA representa os povos indígenas, mas construir bases de conhecimento produzidas por indígenas. Nesse sentido, a plataforma Etnias nasce com esse propósito: tornar-se um ponto de pesquisa para futuras inteligências artificiais. A rede social é administrada por indígenas e reúne blogs, artigos, vídeos, línguas, conhecimentos tradicionais e produções culturais publicados diretamente por seus próprios autores, dentro de um domínio indígena. Hoje, grande parte das informações disponíveis na internet sobre os povos indígenas foi produzida por não indígenas ou contém distorções e estereótipos. Construir uma base de conhecimento escrita, registrada e organizada pelos próprios indígenas é um passo fundamental para que as futuras inteligências artificiais reflitam, de forma mais fiel, a diversidade e a realidade dos povos originários.👇

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