12/10/1492
CHEGADA DOS INVASORES A ABYA YALA

Antes do aço,
Antes da cruz,
Abya Yala respirava
em verdes infinitos.

O vento conhecia apenas
o canto das aldeias,
o cheiro da mandioca,
o ritmo do toré.

Mas do mar vieram fantasmas
em naus de ganância e medo,
trouxeram ferros frios,
dogmas e pragas
— sementes do fim.

O primeiro grito
foi o da terra violada.
O segundo,
o do fogo devorando aldeias.
O terceiro,
o silêncio das crianças
que a fome e a lâmina levaram.

Nossos pajés tombaram
com seus maracás ainda pulsando,
nossas curas viraram pó,
nossos nomes, números.

Abya Yala sangrou rios
de parentes enterrados
em sepulturas sem nome,
enquanto os invasores
erguiam cruzes e cidades
sobre nossos umbigos.

Mas mesmo na noite do genocídio,
o urucum da resistência
nunca secou em nossas mãos.
A onça ainda caminha em nossos sonhos,
a jibóia tece a trama da memória.

E hoje,
nessa terra ainda ferida,
seguimos de pés no chão,
com vozes que ecoam:
“Ainda estamos aqui!
Ainda somos semente!”
Resistimos e retomamos na força ancestral encantada!

Awêry, itsê niamissü.
🐍🙇🏾‍♂️🐆

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